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Artista do Ninho do Pássaro, hoje exilado na Europa, lamenta uso do estádio para fins políticos


CHINA - O sino-artista, hoje exilado, Ai WeiWei, até hoje lamenta o uso do Ninho do Pássaro na propaganda política do governo chinês. Ele é conhecido por fazer parte da equipe de design do estádio que foi construído para as Olimpíadas de Pequim em 2008.


Em uma recente entrevista escrita à Kyodo News antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno na sexta-feira, o artista dissidente também descreveu os boicotes diplomáticos de algumas nações ocidentais aos jogos sobre direitos humanos na China como "sem sentido".


Ai, que agora mora na Europa, fez parte da equipe de design, com o escritório de arquitetura suíço Herzog & de Meuron, para o Estádio Nacional de Pequim, conhecido por seu design elegante inspirado na cerâmica tradicional. Mas depois ele desistiu do projeto.


"Esperávamos que nosso projeto pudesse incorporar o estilo de vida da democracia e da liberdade. Sinto que o uso do Ninho de Pássaro é contra a intenção original do projeto", disse ele na entrevista.


Quando Pequim sediou as Olimpíadas em 2008, a situação dos direitos humanos na China também foi considerada um problema, mas os países ocidentais mantiveram a esperança de que o país adotaria os valores internacionais liberais, incluindo os direitos humanos.


Essa esperança foi simbolizada pela presença na cerimônia de abertura do então presidente dos EUA, George W. Bush.


Porém, tudo não passou de uma promessa não cumprida, quando 4 anos após os jogos, o governo do presidente Xi Jinping apertou seu controle, incluindo advogados de direitos humanos e a mídia. Ai disse que as Olimpíadas são agora uma oportunidade para a China demonstrar suas conquistas em termos de "governança, controle e economia".


"A China não mudou de maneira fundamental desde a época de (pai fundador) Mao Tse-tung, através da geração anterior, até hoje. Ela tem seguido estritamente um princípio, que é apertar intermitentemente e depois relaxar... não vejo isso como um atributo único de hoje", disse ele.


Na verdade, as expectativas do Ocidente sempre foram equivocadas, observou ele. A China nunca se desviou do autoritarismo e "os apelos e expectativas da comunidade internacional, mostrando o equívoco do sistema ocidental, não têm efeito sobre a China".


Os boicotes diplomáticos dos EUA e de alguns outros países relacionados à minoria muçulmana uigure na região de Xinjiang, no extremo oeste, “não teriam nenhum efeito, seja na China ou na sociedade ocidental”, disse Ai.


É "um golpe publicitário" do Ocidente e não "ação real", acrescentou. Agora que os países ocidentais são mais dependentes economicamente da segunda maior economia do mundo, eles não querem prejudicar as relações com a China e são motivados por necessidades políticas, enquanto Pequim sabe disso, disse o artista.


"A sociedade ocidental não tem nenhuma intenção real de ajudar com a questão dos direitos humanos na China. Eles só querem salvar as aparências. Esse boicote não significa nada para a China", disse ele.


Ai também disse que o COI é "uma organização muito politizada" que só se preocupa com lucros, enquanto reivindica neutralidade política: "Para obter lucros econômicos, tem ficado ao lado do poder. Foi o caso das Olimpíadas de 2008, e desta vez é a mesma coisa", disse.