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Ativistas pedem a participação do Japão no tratado de proibição de armas nucleares


JAPÃO - Os ativistas exortaram o Japão no sábado a aderir a um tratado da ONU que proíbe as armas nucleares, ao celebrar a entrada em vigor do pacto de 52 membros como um impulso para o movimento de desarmamento global.


"O próximo passo será trazer o governo japonês a bordo com o tratado", disse Beatrice Fihn, diretora executiva da Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares, durante um evento online organizado pela organização não governamental japonesa Peace Boat.


“Eu realmente encorajo você a usar este novo tratado para colocar mais pressão sobre o seu governo”, disse Fihn um dia depois que o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares entrou em vigor.


O lançamento do tratado, porém, foi prejudicado pela ausência de Estados com armas nucleares, assim como o Japão, único país a ter sofrido a devastação dos bombardeios atômicos.


Falando no evento, Setsuko Thurlow, ativista e sobrevivente da bomba atômica, fez um pedido semelhante ao Japão, dizendo que o primeiro-ministro Yoshihide Suga deve "exibir liderança responsável" no desarmamento nuclear.


Os participantes também parabenizaram os numerosos sobreviventes da bomba atômica, ou hibakusha, que fizeram campanha ao longo dos anos pelo desarmamento nuclear.


"O tratado é antes de tudo um presente para os hibakusha", disse Izumi Nakamitsu, subsecretário geral da ONU e alto representante para assuntos de desarmamento, em uma mensagem de vídeo. "É a prova de sua determinação."


Peter Maurer, presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, disse: "Não devemos esquecer que este é o começo, não o fim, de nossos esforços".


Em uma conferência online separada, o ex-prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba, defendeu a criação de uma zona livre nuclear no nordeste da Ásia envolvendo China, Japão, Coréia do Norte, Coréia do Sul, Rússia e os Estados Unidos como forma de alcançar o desarmamento nuclear global.


"O Japão deveria parar de dar tanta consideração aos Estados Unidos e encorajar o diálogo entre os países envolvidos", disse Akiba, referindo-se ao aliado de segurança de Tóquio e uma grande potência nuclear.


Koichi Kawano, presidente do Congresso do Japão contra as bombas A e H, ressaltou o objetivo de abolir todas as armas nucleares.


"Não devemos parar e ficar satisfeitos com a aplicação do tratado", disse Kawano.