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Dívida pública japonesa no ano fiscal de 2021 fica perto de 8 trilhões de dólares


JAPÃO - O saldo da dívida pública de longo prazo ultrapassou US$ 7,7 trilhões, sendo um valor altamente estratosférico em ienes, pela primeira vez no ano fiscal de 2021, que terminou em março para atingir seu nível mais alto de todos os tempos, informou o Ministério das Finanças nesta terça-feira.


A dívida cresceu para 1017,1 trilhões de ienes, quebrando recordes pelo 18º ano consecutivo, na contramão do aumento dos custos previdenciários em meio ao rápido envelhecimento da população e aos gastos emergenciais em resposta à pandemia do coronavírus.


O saldo da dívida de longo prazo, que exclui alguns tipos de títulos, aumentou 44 trilhões de ienes em relação ao ano anterior. A expansão da dívida colocou a terceira maior economia do mundo mais longe de restaurar sua saúde fiscal, já a pior entre as principais economias.


O saldo da dívida dobrou nas últimas duas décadas, depois de atingir 500 trilhões de ienes pela primeira vez no final do ano fiscal de 2002, ano, inclusive, em que ocorreu a Copa do Mundo da FIFA no país em conjunto com a Coréia do Sul.


Juntamente com uma dívida de longo prazo estimada em 193 trilhões de ienes nos governos locais, a dívida total do Japão deve chegar a 1210 trilhões de ienes, de acordo com o ministério.


Pelo cálculo simples, cada cidadão japonês é sobrecarregado com 9,66 milhões de ienes em dívidas.


O aumento dos pagamentos de juros da dívida acumulada após uma recente tendência de alta nos rendimentos dos títulos seria uma dor de cabeça para o governo. Mas até agora, o Banco do Japão comprou uma enorme quantidade de títulos como parte de sua política monetária acomodatícia para manter as taxas de juros perto de zero.


O ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, cujo programa de estímulo à economia "Abenomics" incluía uma flexibilização monetária ousada, chamou o BOJ de "uma subsidiária do governo", atraindo uma reação imediata dos legisladores da oposição que veem a observação como minando a independência do banco central.


Para o ano fiscal de 2022, o governo planeja gastar um recorde de 107,60 trilhões de ienes no orçamento inicial, em parte para financiar o aumento dos custos da seguridade social. Enquanto espera receitas fiscais de cerca de 65 trilhões de ienes, planeja emitir títulos para ajudar a cobrir o déficit.


A saúde fiscal do país pode se deteriorar ainda mais, pois o Partido Liberal Democrata e seu parceiro de coalizão, o Komeito, concordaram em abril em buscar um orçamento extra de mais de 2,5 trilhões de ienes para ajudar a amortecer o impacto do aumento dos preços da energia e dos alimentos estimulado pela invasão da Ucrânia pela Rússia.


Em dezembro, o BOJ possuía 43% do total da dívida em circulação, embora desenhasse uma linha de monetização da dívida e compra títulos públicos via mercado.


"Metade da dívida (do governo) é comprada pelo BOJ. A entidade bancária é uma subsidiária do governo", disse Abe, que ainda apoia a flexibilização monetária do banco, em uma reunião na segunda-feira. Quando o prazo de reembolso da dívida chegar, o governo pode revertir, disse ele.


Takahide Kiuchi, economista executiva do Instituto Nomura e ex-membro do conselho do BOJ, disse que a independência do Banco Central foi e deve ser mantida, chamando a visão de Abe de "muito não refinada".


"Se a independência do BOJ for minada, ela será forçada a tornar as políticas apenas convenientes para o governo", disse Kiuchi, alertando que a emissão ilimitada de títulos públicos aumentará o risco de colapso fiscal e prejudicará o valor da moeda japonesa e do potencial de crescimento econômico.