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Dois sul-coreanos presos no Japão são suspeitos de serem agentes de espionagem da Coréia do Norte


JAPÃO - Dois sul-coreanos presos no Japão no outono passado sob suspeita de violar a lei de imigração do país estavam envolvidos em uma operação para obter moeda estrangeira sob a direção de um homem que se acredita ser um agente norte-coreano.


A polícia japonesa classificou sua cooperação como um caso de espionagem envolvendo a Coreia do Norte e acredita que é apenas uma parte de uma rede de aquisição de moeda estrangeira criada por Pyongyang para contornar sanções econômicas.


Segundo as fontes, o homem que deu as ordens à dupla sul-coreana por meio de vários outros indivíduos operava principalmente na China, usando um nome fictício como Ri Ho Nam.


Ele teria pertencido à principal agência de inteligência da Coréia do Norte, chamada Reconnaissance General Bureau, e acredita-se que ainda seja uma figura central na rede de aquisição de moeda estrangeira.


O homem também é considerado o modelo de um oficial norte-coreano de alto escalão que aparece em "The Spy Gone North", um filme vagamente baseado nas memórias de um ex-agente sul-coreano.


Os dois sul-coreanos, um homem na casa dos 60 anos e uma mulher na casa dos 70, estabeleceram uma trading no final de 2016 em um condomínio em Tóquio para importar e vender bebidas nutritivas de seu país.


Eles foram presos em outubro e novembro do ano passado pela polícia metropolitana por realizar atividades fora de seu status de residência e entrar no Japão com documentos obtidos de forma fraudulenta.


Uma análise dos materiais apreendidos revelou que a dupla usou sua empresa para comercializar produtos marítimos com a Coréia do Norte e estava envolvida em um plano para construir um terminal de gás liquefeito de petróleo perto da fronteira com a Coréia do Norte no Extremo Oriente da Rússia.


No que foi considerada uma operação liderada pela agência de espionagem da Coreia do Norte para adquirir moeda estrangeira, a polícia acredita que parte dos fundos obtidos pelo homem e pela mulher por meio de seus negócios e outros meios foram encaminhados para o homem que os havia instruído.


O sul-coreano, que morava há muito tempo no Japão, e a mulher, que havia entrado repetidamente no país com vistos de curta duração desde cerca de novembro de 2017, eram colaboradores da operação, segundo as fontes. Mas os promotores japoneses decidiram não indiciá-los e os dois não estão mais sob custódia.


O jornal Yonhap da Coreia do Sul informou em fevereiro que o homem que dirigiu a dupla se encontrou com um funcionário da Corporação de Gás da Coréia em um hotel em Vladivostok, no final de 2019. Naquela época, ele perguntou se a empresa de gás sul-coreana compraria gás produzido na Rússia comprado pela Coréia do Norte, mas a empresa declinou.