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Empresa é proibida de aceitar estrangeiros após denúncia de agressão de colegas japoneses


JAPÃO - O governo japonês revogou na sexta-feira a permissão de uma empresa de construção para aceitar entrada de estrangeiros depois que um vietnamita sofreu ferimentos graves como resultado de agressões de colegas japoneses por cerca de dois anos.


A empresa chamada Six Create, de Okayama, está proibida de aceitar estagiários técnicos até 2027 sob a punição administrativa emitida pela Agência de Serviços de Imigração do Japão e pelo Ministério do Trabalho.


"Atos de violação de direitos humanos contra estagiários técnicos nunca devem ocorrer", disse o ministro da Justiça, Yoshihisa Furukawa, em entrevista coletiva em Tóquio, acrescentando que o governo tomará medidas rigorosas se casos semelhantes ocorrerem no futuro.


A agência de imigração admitiu que "violações de direitos humanos, incluindo agressões" ocorreram na empresa, embora se recusou a divulgar detalhes.


O trainee vietnamita, de 41 anos, disse que chegou ao Japão no outono de 2019 e que os abusos começaram cerca de um mês depois que ele começou a trabalhar. Ele sofreu ferimentos graves, incluindo ossos quebrados.


Imagens de vídeo da violência mostraram que ele foi esmurrado, atingido na cabeça e no corpo com uma vassoura e repreendido por não falar japonês corretamente.


O homem está exigindo um pedido de desculpas e indenização da construtora e de um órgão intermediário que apresentou o homem à empresa.


A agência estuda se deve apresentar queixa-crime contra os colegas japoneses e tomar alguma medida contra o órgão intermediário, também sediado em Okayama.


O homem, falando sob condição de anonimato, disse a repórteres no mês passado em Tóquio que se sentia incapaz de denunciar seus abusos à polícia por medo de retaliação.


"O que eu mais temia era não poder mais trabalhar na empresa e ser enviado de volta ao Vietnã", disse ele em entrevista coletiva virtual. "Eu estava com muito medo e pânico e não sabia o que fazer."


O Japão estabeleceu o programa de estágio técnico em 1993, com o objetivo de transferir habilidades para países em desenvolvimento. Mas tem sido criticado por criar um foco de exploração e acusado de fornecer cobertura para empresas importarem mão de obra barata de outros países asiáticos.