1/3

Empresas tomam iniciativa ao contratar serviços em benefício mental de seus trabalhadores


JAPÃO - Como o home-office prolongado devido à pandemia um número crescente de empresas no Japão está usando serviços online, como software de consulta pessoal, para cuidar do bem-estar mental de seus funcionários.


A empresa de tecnologia de rede NTT, que atualmente tem cerca de 80% de seus funcionários trabalhando remotamente, adotou um software especializado para organizar consultas online entre os trabalhadores e seus superiores.


Usando um software fornecido pela Kakeai, uma trabalhadora de 20 anos da NTT, por exemplo, tem uma discussão de 30 minutos online com seu chefe a cada duas semanas.


"Isso ajuda a lidar com pequenos problemas de trabalho do dia-a-dia", disse ela.


Os usuários do software registram previamente os tópicos que desejam discutir com seus superiores, marcam uma consulta e enviam memorandos ou outros arquivos, se assim o desejarem.


Quanto aos que prestam consultoria, o software fornece sugestões sobre possíveis conselhos a serem procurados e permite que eles insiram memorandos e documentos compartilhados na tela. A Kakeai tem cerca de 100 clientes, incluindo Itochu, Asahi, Docomo e Astellas.


"Ele pode preencher as lacunas de comunicação melhor do que os sistemas de reunião on-line de uso geral", disse Hidetaka Honda, presidente da Kakeai.


Um serviço fornecido pela Lafool usa smartphones para medir o nível de estresse dos funcionários, fazendo com que eles respondam periodicamente a questionários em um site criado para esse fim e dá acesso a conteúdo de vídeo com conselhos de profissionais de saúde.


Cerca de 850 empresas adotaram o serviço online da Lafool, mais do que o dobro do período pré-pandemia, segundo a empresa.


Em uma pesquisa com 120 gerentes de assuntos de pessoal realizada em setembro pela revista de gestão corporativa Gekkan Soumu, cerca de 43% deles disseram que o número de trabalhadores reclamando de piora da saúde física ou mental aumentou durante a pandemia, um aumento de 8 pontos percentuais em relação ao ano anterior.


Sentimentos de isolamento e falta de comunicação foram os motivos mais citados para a deterioração de sua saúde, mostrou a pesquisa.


Existem empresas que dependem de tecnologias para analisar como os funcionários operam seus PCs ou monitorar suas respostas físicas, como frequência de pulso e frequência de piscar de olhos, por meio de uma câmera.


Mas Fumiko Kudo, membro da equipe acadêmica visitante do Centro de Pesquisa em Questões Éticas, Legais e Sociais da Universidade de Osaka, alerta que esses métodos de monitoramento podem levantar uma questão de violação de privacidade.