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Ex-premiês do Japão pedem oposição da União Europeia sobre energia nuclear


JAPÃO - Os ex-primeiros-ministros Junichiro Koizumi e Naoto Kan pediram a União Europeia que busque um caminho rumo à energia nuclear zero, com o bloco planejando designá-la como uma forma de energia "verde" para zerar emissões líquidas até meados do século.


Tanto Koizumi quanto Kan eram defensores da geração de energia nuclear enquanto estavam no cargo, mas se tornaram vozes anti-nucleares proeminentes no Japão desde o desastre de Fukushima em 2011. Kan atuava como governante quando o desastre atingiu o nordeste do Japão.


"Como resultado do acidente nuclear de 2011 na usina de Fukushima Daiichi, aprendemos que a energia nuclear não era segura, barata e limpa", disse Koizumi que governou entre 2001 e 2006.


"Mesmo que não dependamos da energia nuclear e não usemos combustíveis fósseis, existem fontes renováveis ​​suficientes para fornecer a energia necessária. Isso é verdade no Japão e em outros países do mundo", acrescentou Kan, que ocupou o cargo entre 2010 e 2011.


Na classificação da UE para orientar e mobilizar o investimento privado em atividades necessárias para alcançar a neutralidade climática nos próximos 30 anos, propõe-se que a energia da fissão nuclear e do gás natural seja rotulada como “verde”.


A Comissão Europeia, poder executivo do bloco, acredita que há um papel para o gás natural e a energia nuclear na transição para um futuro baseado predominantemente em energia renovável.


Alguns membros da UE, como Áustria, Alemanha e Espanha, se opõem ou permanecem céticos em relação à proposta, enquanto a França liderou o esforço para que a energia nuclear fosse incluída na categoria verde da classificação.


Espera-se que o regulamento entre em vigor em 2023, permitindo que a energia nuclear e o gás natural se juntem às energias renováveis ​​numa lista de tecnologias aprovadas para investimento privado e apoio financeiro da UE. Os dois ex-líderes do Japão alertaram para os riscos associados à energia nuclear.

"Na época do acidente de Fukushima, até mesmo os moradores de Tóquio estavam perto de ter que evacuar. Se tal acidente ocorresse na França, os moradores de Paris teriam que evacuar por 50 ou até 100 anos", disse Kan.


Considerando a situação na França, que depende fortemente da energia nuclear como fonte de carga de base, Koizumi destacou que a Alemanha está saindo gradualmente e o Japão está reduzindo sua dependência da energia atômica.


"Espero que isso ajude a mudar as mentes dos líderes da França (e de outros estados pró-nuclear)", disse Koizumi, dono de um carro movido a hidrogênio.


"O Japão precisa exportar tecnologias renováveis ​​para países em desenvolvimento em vez de tecnologias de energia nuclear, já que muitos desses países são abençoados com recursos naturais", acrescentou Koizumi.