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Falta de funcionários em hospitais sobrecarrega pais de crianças doentes no Japão


JAPÃO - A escassez de profissionais de saúde no Japão está afetando as famílias de crianças hospitalizadas, com uma pesquisa recente mostrando que aproximadamente 85% dos pais afetados são forçados a cuidar regularmente de seus filhos em tempo integral, apesar de pagar taxas de pacientes.


Não apenas a pesquisa da Universidade Internacional de St. Luke mostrou que cerca de 70 por cento desses pais que trabalham tiveram suas vidas profissionais afetadas, seja pela necessidade de se demitir totalmente ou tirar uma licença, o problema também é agravado pelo fato de que as instalações não são suficientemente equipados para hospedá-los.


Os pais geralmente não recebem refeições e muitas vezes têm que dormir em camas improvisadas ou dormir ao lado de seus filhos doentes na mesma cama. Alguns pais podem ser obrigados a permanecer por meses seguidos, dependendo da situação de seus filhos.


Como a questão tem trazido cada vez mais publicidade negativa para o governo, o ministro da saúde encarregou seu ministério de realizar uma pesquisa em hospitais e famílias de familiares hospitalizados, incluindo adultos, para obter uma avaliação da situação.


"Gostaríamos de considerar tomar as medidas adequadas com base nos resultados (da pesquisa)", disse o ministro da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, Shigeyuki Goto, em uma entrevista coletiva em Tóquio na última quarta, dia 24.


A pesquisa do governo cobre cerca de 300 hospitais em todo o país e cerca de 3.000 pessoas cujos familiares estão hospitalizados, de acordo com o ministério.


A pesquisa da universidade conduzida em conjunto com uma organização sem fins lucrativos chamada Keep Moms Smiling, que apoia famílias de crianças doentes, também mostrou que mais da metade dos pais que foram obrigados a acompanhar seus filhos experimentaram impactos negativos na saúde devido à dificuldade de acessar refeições decentes e dormir o suficiente.


A pesquisa foi realizada online de dezembro de 2019 a fevereiro de 2020 para conhecer a vida de famílias com crianças hospitalizadas e o apoio que recebem.


Dos 1054 pais que responderam em todo o país, 94% eram mães, disse a pesquisa. Cerca de 69% dos hospitalizados eram crianças em idade pré-escolar, enquanto 39% tinham menos de 2 anos de idade.


Por período de hospitalização, 85% dos pais de crianças hospitalizadas há menos de um mês permaneceram com eles, enquanto 86 por cento acompanharam crianças que permaneceram hospitalizadas por períodos mais longos. Muitos pais, cerca de 30%, disseram não ter ninguém que pudesse tomar seu lugar no cuidado de seus filhos.


A pesquisa mostrou que 45% dos entrevistados tinham empregos, com metade, incluindo aqueles que não tinham nenhum trabalho remunerado, sentindo-se mais inseguros financeiramente depois que seus filhos foram hospitalizados.


"A situação precisa ser melhorada por meios como a criação de um ambiente melhor para os pais viverem em hospitais ou alocar mais funcionários que possam lidar com crianças em tratamento sem serem acompanhados por seus pais", disse a professora universitária Kyoko Kobayashi.