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Governo do Japão deve criar banco de dados voltado para a prevenção da pobreza infantil


JAPÃO - O governo japonês decidiu criar um banco de dados para armazenar várias informações sobre as crianças, como condições econômicas da família e habilidades acadêmicas, em uma tentativa de prevenir a pobreza e o abuso infantil, disse uma fonte familiarizada com o plano na terça-feira.


Ao integrar esses dados, que muitas vezes são coletados separadamente pelas seções de bem-estar e educação dos governos municipais, as autoridades esperam identificar rapidamente as crianças que precisam de assistência e fornecer apoio.


O governo está tentando introduzir o banco de dados em todo o país já no ano fiscal de 2023, como parte da política do primeiro-ministro Fumio Kishida para promover a transformação digital da sociedade, de acordo com a fonte.


Uma reunião de vice-ministros será realizada, possivelmente até o final deste mês, para a criação do banco de dados, e o governo também planeja traçar diretrizes sobre como as informações pessoais devem ser tratadas.


O Japão tem uma taxa de pobreza infantil relativamente alta entre as principais economias, com 14,0% dos jovens de 17 anos vivendo em famílias com renda inferior à metade da renda disponível média nacional em 2018, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.


A taxa de pobreza infantil naquele ano era de 12,4% na Grã-Bretanha, 11,8% no Canadá e 11,7% na França. Nos Estados Unidos, era de 21,2% em 2017.


A pandemia piorou a situação das crianças, dizem os especialistas em bem-estar, à medida que as dificuldades econômicas resultaram em refeições menores e abusos mais graves.


A ideia do banco de dados também foi levantada para superar a hesitação de crianças e pais em buscar ajuda das autoridades locais quando enfrentam dificuldades.


Com o lançamento do novo sistema, o governo pretende armazenar dados como cadastro de benefícios previdenciários e subsídio de despesas escolares, além de resultados de exames acadêmicos e físicos nas escolas, segundo a fonte.


O governo acredita que o banco de dados abrirá caminho para uma assistência mais rápida às crianças em dificuldades e seus responsáveis.


Koji Ogawa, que lidera um grupo chamado Asunoba que ajuda famílias em situação de pobreza, disse que está acompanhando de perto os esforços do governo.


“O apoio que não precisa ser solicitado é necessário”, pois muitos se sentem envergonhados de pedir ajuda pública, disse ele.