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Invasão do talibã obriga embaixada japonesa a evacuar do Afeganistão


AFEGANISTÃO - O Japão retirou todos os funcionários de sua embaixada após a invasão do Talibã no Afeganistão, instalando um escritório temporário em Istambul para retomar as operações da embaixada, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores.


Doze funcionários da embaixada japonesa chegaram a Dubai, nos EAU, na terça-feira "a bordo de um avião militar de uma nação amiga", depois que a embaixada em Cabul foi fechada no domingo.


No domingo, o grupo fundamentalista tomou o controle de algumas cidades até chegar na capital afegã, 20 anos depois de terem sido derrotados pelos americanos. A situação obrigou que o presidente Ashraf Ghani fugisse do país.


O Japão tem estado ativamente envolvido na reconstrução do Afeganistão após a guerra liderada pelos EUA contra a Al Qaeda, hospedando reuniões em 2002 e 2012 que reuniram países doadores e organizações internacionais para discutir o desenvolvimento da nação devastada pelo conflito.


Desde 2001, o Japão forneceu ao Afeganistão cerca de US$ 6,8 bilhões em assistência à reconstrução em novembro de 2020. O governo japonês também prometeu apoio adicional de US$ 720 milhões para o período entre 2021 e 2024.


Os Estados Unidos lançaram a guerra após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 arquitetados pela Al Qaeda, que estava sob a proteção do Talibã, que acabou dizimando a vida de 2958 pessoas.


Após a queda do grupo insurgente, a comunidade internacional trabalhou para reconstruir o Afeganistão sob um governo eleito democraticamente.


"Nossos 20 anos de esforços desde 2001 podem ir pelo ralo", disse um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores, expressando preocupação com a possibilidade de o Afeganistão se tornar uma base para terroristas e o impacto econômico negativo sobre os países vizinhos.


O funcionário acrescentou como o Talibã governaria o Afeganistão e se o país voltará a ser como era antes dos ataques terroristas de 2001 "deve ser observado de perto".